Pauta do Coletivo da Juventude Sem Terra e Colégio Estadual do Campo Iraci Salete Strozak

         SITE APPNós, jovens, trabalhadores e estudantes do campo do território da Cantuquiriguaçu, estivemos reunidos na escola, em atividades e encontros de formação, como a Escola da Juventude, debatendo as principais problemáticas e desafios do jovem do campo nas esferas do trabalho e renda; auto sustentação da juventude em áreas de assentamento e comunidades camponesas; cooperação; os impactos dos agrotóxicos e suas consequências para a saúde humana e o meio ambiente; Educação do Campo, pública, gratuita e de qualidade; democratização de espaços e meios culturais no campo.

            O Território da Cantuquiriguaçu possui maior parte de seus habitantes morando no campo, constituindo-se como uma das populações mais jovens do Paraná. No entanto, é marcada pelo baixo IDH-M e pela maior taxa de pobreza do Estado. Tais índices explicitam as condições de exploração e exclusão que atingem a vida dos jovens que residem na região.

            Compreendemos o papel fundamental neste território, apoiamos e estivemos engajados na luta pela construção da universidade, que deve corresponder à demanda regional de formação de professores, mas também buscar aprimorar o debate crítico-social bastante presente pela forte presença dos Movimentos Sociais do Campo, com ações concretas nos acampamentos, assentamentos e em nossas escolas. Assim, é importante preparar educadores e  trabalhadores para uma atuação profissional que vai além da docência e cargos, dando conta da gestão dos processos educativos que acontecem na escola e no seu entorno, atuando também em outras atividades educativas não escolares junto às populações do campo, movimentos e organizações sociais.

            Tendo em vista a situação apresentada e as problemáticas debatidas, exigimos:

         Construção do Centro de Alternância para que os jovens possam estudar e contribuir no trabalho familiar, fortalecendo a política da Educação do Campo, com uma efetiva implantação de proposta pedagógica de formação garantindo cursos de graduação e pós graduação (Especialização, Mestrado e Doutorado);

       Garantir projetos de Pesquisa e Extensão de formação na área da cultura, arte, produção, educação, meio ambiente na perspectiva de desenvolvimento regional sistematizando as experiências do modo de vida camponês como possibilidade de reafirmar sua cultura;

        Ampliar a oferta de cursos que atendam a demanda da região no âmbito da Educação, com Licenciaturas em História, Filosofia, Sociologia, Artes, Educação Física, Matemática, Física, Biologia e Química, fortalecendo o Campus de Laranjeiras do Sul como um Centro de referência na formação de professores nas diferentes áreas do conhecimento;

            Criar o curso de Medicina Veterinária que desenvolva a matriz tecnológica da agroecologia;

            Criar Fóruns, Grupos de Estudos e Pesquisa sobre Juventude, para pesquisar dados e índices sobre a juventude em nossa região, elaborando estratégias para curto, médio e longo prazo nas suas diferentes dimensões;

            Garantir espaços para proposição da Juventude quando for discutido a criação de novos cursos na UFFS e a consolidação do campus UNICENTRO para Laranjeiras do Sul;

            Ter professores e profissionais formados na área de artes cênicas, visuais, plásticas e de música;

            Criar a Escola de Aplicação de Educação numa Escola Estadual do Campo;

          Desenvolvimento de atividades culturais, artísticas, cinema, amostras, sinfonias, festivais, entre outras, no Cine Teatro Iguassú com acesso ao conjunto da comunidade regional;

            Manter as escolas abertas no campo, garantindo o acesso a escolarização próximo de onde os estudantes  residem, conforme pauta da Campanha Nacional contra o fechamento das escolas do campo: Fechar Escola é Crime!

            Cumprir a lei federal do Programa Nacional de Alimentação Escolar – PNAE, que garante a compra direta da merenda escolar dos camponeses retirando do consumo a merenda enlatada;

            Proibição de alimentos cultivados com agrotóxicos na merenda escolar nas escolas, e a garantia de alimentos agroecológicos produzidos pelos camponeses;

            Garantir a qualidade e a segurança no transporte escolar. Assegurar junto a administração municipal a melhoria dos meios de transporte, bem como, a conservação das estradas de linhas escolares. É inadmissível que os 200 dias letivos sejam prejudicados pela não circulação do transporte devido a má condição das estradas, comprometendo a formação dos estudantes das escolas do campo;

            O Colégio Iraci Salete Strozak é uma escola pública do Campo. Conforme Resolução de distribuição de aulas 5590/2010 esta teria lotação de educadores obedecendo a prioridade de já ter atuado em anos anteriores na escola. A instrução 027/2010 SUED/SEED estabelece a lotação dos educadores em áreas do conhecimento. Esta resolução são da SEED e o que a escola questionou foi o não cumprimento das mesmas, sendo que em nenhum momento foi ou é intenção desta instituição e de seus gestores selecionar os educadores. a luta do coletivo da Escola é pela lotação de educadores com 40 horas na Escola Iraci e nas Itinerantes, pois esta é uma demanda do Ciclo de Formação Humana;

            Construção imediata de pelo menos quatro salas de aulas para suprir as necessidades das turmas que hoje estão tendo aula em espaços inadequados, improvisados na comunidade.

Coletivo de Estudantes do Colégio Iraci Salete e da Brigada Ireno Alves dos Santos.